Exportação: A melhor escola para a competitividade

De que modo a exportação pode ser importante para o desenvolvimento da competividade industrial das empresas brasileiras, sobretudo as pequenas e micro empresas? Quais os seus impactos para o mercado interno? Para comentar um pouco mais sobre esse assunto a coluna Logística Portuária buscou, na Itália, o consultor Nicola Minervini. Expert em internacionalização e autor do livro “O Exportador”, que entrou recentemente na sua sexta edição, Minervini acredita que a exportação é a saída para o desenvolvimento da competitividade nacional. “Considero a exportação como a melhor escola para a competitividade.

A empresa tem que se confrontar com o mundo. Temos que entender que exportação quer dizer longo prazo, perseverança, paciência”, ressalta. Para ele a internacionalização de micro empresas deve passar por um filtro para avaliar as condições de enfrentamento no mercado internacional. “É interessante que o empresário visite feiras no exterior para avaliar se seu produto tem reais condições de competir no mercado internacional. Também sugere realizar uma espécie de checkup para medir e verificar possíveis carências, investir em design, tecnologia, na marca. Para uma pequena empresa esses temas são complicados por essa razão pensar em trabalhar em grupo é a solução mais indicada nesse contexto, o que chamo de Sistema Integrado de Promoção da Competitividade”.

Minervini também visitou os estados nordestinos da Bahia e Ceará no ano passado e teve a oportunidade de avaliar a situação de pequenas e micro empresas naquelas regiões. “Costumo dizer que você antes de se aventurar no mercado externo tem que ter uma boa base no mercado interno. Pode ser mais fácil crescer no mercado interno onde as variáveis são bem menores como a moeda, legislação, cultura, idioma, etc.  Se o empresário tem um bom produto e, aproveitando que o Nordeste é o alvo do turismo estrangeiro,ele pode tentar vender aos estrangeiros que visitam a região. Essa já é uma forma de sondar a aceitação do produto local no exterior. Sinceramente percebo que é difícil para muitas pequenas empresas enfrentar o mercado externo e por isso insisto que, deixando de lado o individualismo e desconfiança latina, trabalhar em grupo, mas com método e treinamento, é essencial para as pequenas empresas que buscam a internacionalização”, avalia.

O consultor ainda comenta sobre a importância da promoção no comércio exterior. “A promoção é indispensável. Entre milhões de empresas existentes como o comprador nos encontra?Antes de tudo se você hoje não está na internet, você não existe!  É preciso manter o site atualizado, com catalogo atual. Lembre-se, internet não quer dizer só ter uma página bonita, mas estar presente na rede social, especialmente em linkedin, twitter, facebook, youtube”, revela. Ele ainda ressalta a importância da participação em eventos internacionais. “Nunca vá como expositor sem conhecer a fundo a feira.

É preciso saber se aquele evento é o ideal para o empresário mostrar seu produto. Aconselho sempre a visitar a maior feira internacional do próprio setor para medir quanto anda sua competitividade. Depois, se achar que tem condições de competir, peça à alguma entidade externa uma consultoria, do tipo check-up. Por exemplo, solicitar ao Centro Internacional de Negócios da própria Federação de Indústria ou Sebrae, Ministério de Desenvolvimento, Industria e Comercio Exterior, através da Apex, Secex, etc.”, diz.

Minervini ainda acrescenta que se faz necessário a empresa avaliar qual ou quais produtos seriam considerados menos vulneráveis à concorrência internacional e ainda solicitar uma assistência externa para elaborar um plano de trabalho com orçamento. “Chegando à conclusão que não se tem recursos suficientes, busque a possibilidade de colocar-se em um grupo de empresas complementares para poder seguir com os planos de internacionalização”, cita. E lembra a importância do catalogo como ferramenta de divulgação.

“Compete na hora de estrutura-lo inserir e privilegiar informações do tipo benefícios e vantagens que o cliente vai ter comprando nosso produto”, menciona. O expert em internacionalização declara que a base da comunicação passa por ter um ótimo conhecimento das diferencias culturais. “A falta de conhecimento no mercado que se deseja investir é responsável por mais de 50% dos fracassos nas negociações internacionais”, frisa.

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